Dia da Mulher

Quarenta e quatro anos depois da ONU (Organização das Nações Unidas) ter instituído o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher ainda existem muitas desigualdades visíveis.

O objetivo era ter afirmado os direitos das mulheres como direitos humanos, desta forma os países comprometeram-se a cumprir ações específicas para respeitar esses mesmos direitos, no entanto, os dados mostram que o propósito de homens e mulheres usufruírem dos mesmos direitos e deveres, ainda está longe de ser cumprido, ora vejamos:

No Mundo, atualmente a diferença salarial entre homens e mulheres é de cerca de 23%, 137 mulheres em todo o mundo são mortas por um membro da sua própria família. Mais de 2,7 milhões de mulheres estão legalmente impedidas de escolher o mesmo emprego que os homens, em alguns países existem leis que as impedem de ter determinada profissão e em outros são os próprios maridos que podem legalmente impedi-las de trabalhar. Cerca de três em cada quatro mulheres e meninas são traficadas para fins de exploração sexual, e 82% relatou ter sofrido alguma forma de violência física ou psicológica.

Em Portugal em 2017 25,298 mulheres foram vítimas de violência doméstica, contudo foram arquivados no mesmo ano 20,470 processos relativos ao mesmo tema, ou seja, podemos concluir que apenas 15% do total de processos de violência doméstica acabaram em acusação. Ainda no mesmo ano 80,5% das crianças violentadas sexualmente eram do sexo feminino, e 68,5% das vítimas estava entre os 8 e os 13 anos.

No ano de 2018 foram assassinadas 28 mulheres em contexto de relações de intimidade, e em 2019 já morreram vítimas de violência 10 mulheres e uma criança.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, existem mais mulheres desempregadas do que homens, a taxa de desemprego registada em janeiro de 2019 é para as mulheres de 7,9% e para os homens de 6,1%, ainda relativamente ao tema de emprego, as mulheres recebem em média menos 15,8% do que os homens, o que corresponde a 58 dias de trabalho remunerado.

Neste dia 8 de março de 2019 o objetivo é consciencializar as pessoas para as desigualdades que 44 anos depois ainda teimam em existir, e recordar a necessidade de pôr termo a todas as formas de violência promovendo assim uma sociedade de paz, segurança e dignidade humana, extinguir as desigualdades salariais entre homens e mulheres quando o trabalho realizado pelos dois for exatamente igual, pôr fim à impunidade dos agressores de violência sexista ( investigações rigorosas e execução efetiva de penas) e promover uma educação não estereotipada, assente nos direitos humanos.

No dia 24 de outubro de 1975, 90% das mulheres islandesas pararam: não trabalharam, cozinharam ou cuidaram de crianças. O efeito desta paragem foi de tal forma relevante que ainda hoje se recorda este dia em particular e o seu impacto para o reconhecimento do papel da mulher na sociedade. Afinal, mesmo mal pagas e pouco valorizadas, são indispensáveis não só em casa, mas em todos os domínios. Em 2016 as islandesas voltaram a parar, mas desta vez pela igualdade de salários. Ninguém trabalhou depois das 14:30h, quantas vezes terão de parar para que se perceba o papel importante que têm na sociedade?

Deixemo-nos de fechar os olhos ao que se passa à nossa volta, e lamentar tudo o que achamos menos justo, e façamos todos os dias algo para mudar esta realidade ainda tão retrograda!

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