Estuque – Valorizar o que é nosso

Portugal é rico em artes decorativas, mas muitas vezes passa-nos ao lado toda a beleza que esses pormenores trazem a um edifício.

A Eu Lisboa Magazine em parceria com a Marta Maçarico, licenciada em conservação e restauro, apresentam-lhe este artigo para que perceba um pouco mais sobre artes decorativas, e para que lhes passe a dar o seu devido valor.

Muitas das vezes esse tipo de decoração é apenas valorizado por pessoas que vêm de outros países, enquanto, a maioria das pessoas locais tende a desvalorizar esse tipo de material, quando este se encontra danificado ou descaracterizado ou simplesmente por ser uma arte menor.

Neste artigo falaremos exclusivamente de estuque.

O estuque constitui um ramo importante nas artes decorativas, aplicadas à decoração arquitectónica. Este é aplicado em todo o género de construções, desde as mais modestas às mais ricas. Nas primeiras emprega-se liso em paredes e/ou tetos, enquanto que nas últimas se aplica em relevo, em molduras, florões, cantos, sancas, cimalhas, entre outras tantas formas que valorizam e enriquecem o edifico.

O seu uso como decoração deve porêm estar em harmonia com o fim a que se destina e às diversas áreas da habitação. Deste modo deve ser cuidado e preservado de forma a durar o máximo de tempo possível, podendo passar de geração em geração.

As anomalias ou causa de degradação podem ser de diversos indícios, pelos quais se desenvolvem e originam patologias de diferentes tipos.

A pintura com tintas plásticas é uma operação de manutenção bastante comum sobre os estuques presentes em edifícios. A intervenção consiste na aplicação de camadas de tinta com base em polímeros para ocultar manchas de sujidade e descolorações das policromias. Deste modo acaba por provocar, efeitos estéticos negativos devido à cobertura de camada pictórica e a ocultação de relevos resultantes da aplicação, como também impede a respirar natural do gesso, impedindo assim a evaporação da absorção de humidade. O nosso principal objetivo é alertá-lo para este tipo de manutenções que fazem o estuque ficar esteticamente disforme.

Na primeira imagem podemos observar o estuque com a aplicação de sucessivas camadas de tinta. Na segunda verificamos a diferença entre o estuque original e o estuque com sucessivas camadas de tinta, e a ultima imagem apresenta o estuque após serem retiradas as todas as camadas de tinta (estuque original).

Privilegiemos o que de tão sublime temos e deixemos de querer esconder a arte decorativa que tão bem apreciada é no nosso país por quem vem de fora.

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